
Parece incrível que eu chegue ao fim do ano
E deseje sonhos ao avesso:
Que um vento sacuda o interior das coisas
E borre a maquiagem dos falsos sentimentos
A verdade é que eu desejo que venha à tona finalmente
A lama
E que as partes turvas mostrem o que são
Nem límpidas, nem boas, nem leves
Parece duro desejar que a verdade se mostre
Nua e crua, sem dó nem piedade
Mas que seja ao menos algo que se possa ver
Nada de emoções falsas
Rostos amarelos
Vincos no lugar de sorrisos
Disfarçados
Assim posso dizer não
Isso não quero
Por aí não vou
E depois virar as costas e nunca mais voltar
Para um feliz ano velho
