domingo, 10 de junho de 2012


O segundo eterno


O segundo eterno
Passou por mim
Molhado de beijos
Foi chuva de estrelas
Sobre meu corpo

O que se vê agora
É o silêncio iluminado
O rastro em meus pelos
Poeira sideral
Nos cabelos

E o cheiro inconfundível
De universos
Ansiados
Achados
E perdidos


MMt 10.06.12


Meu filho

Guardado na semente,
Guardada a terra boa
Pra você nascer.
Pura poesia para um dia,
Em que o sol  chamar seu nome
Em mim.

domingo, 3 de junho de 2012

Saia de mim poesia


Saia de mim poesia
A que nunca escrevi
A que é dura e fria
Saia de mim
Esgueirada assim
Nas entranhas
Não me deixa sorrir
Nem voar
E o meu canto é triste
Saia como um vômito
Como um vento desenfreado
Montanha à fora
Que seja assim
Saia 
Já é hora

O que pode haver
De tão difícil a dizer?
Saia para ver
Poesia calcificada
Grudada nas paredes do meu coração
Me impede de viver
O sim e não
O nunca mais
Adeus
Por isso mesmo
Batem na minha cara
Saem
Voltam
Fazem o que querem
Dormem gozam somem
Tudo porque não sei quem é você
Poesia louca
Saia para que eu possa ter
A alegria perdida
Um instante só inteira e leve
Sem a pena que espera
Parada eternamente
Sobre a vida



sábado, 2 de junho de 2012


                                                                       Foto: Anna Mariani

Casa antiga


Hoje pensei:
Sou uma fachada de casa antiga
Pelo tempo carcomida
De barro e suor construída
Repintada em cores fortes
De rosas e azuis para cima
Plantada em pleno sertão

Gente sofrida mora nela
Mas a fachada é colorida!
Encanta um tanto
Os calangos, os caboclos
O cacto solitário
A horta seca
A poeira da rua

Não é feia
É colorida!
É quase uma surpresa
Sua cor inesperada
E há tanta gente de fora
Que adora!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Outono de dentro



Por que me fazer tão sozinha, Eu ?
Tão nessa madrugada fria
Sem ninguém pra dizer
Eu, vem aqui, me esquentar.

Por que lamentar tanto, Eu?
Gastando a água do mar
Nesse olho comprido
Da janela, vendo o tempo passar...

Todo mundo está dormindo
É quase inverno no Rio
Mas para que tanto inverno
Em seu outono de dentro, Eu?

Eu, não sei...
Eu, não sei não...
Algum dia sorrí seu verão?

MMt
16.05.12

terça-feira, 15 de maio de 2012

Margaridas num colar




Eu pedi a você
Uma flor de vitória régia
Num buquê de camélias
Para me casar

Você riu
Jogou charme e respondeu
Que tal margaridas num colar?

Eu pedi
A montanha mais alta
E um céu muito azul
Para me declarar

Você riu...
Que tal num motel
Da  Avenida Brasil?

Eu devia saber que esse amor

Não nasceu para durar

MMt
16.05.12

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Prova de amor






Tu és um rio selvagem
E sobre meu leito escorres
Caso  em mim tu te prendas
Algo  nos seca e morres

Se sobre mim fluis e cantas
Se desces em disparada
E se dás vida aos peixes
Fico para lhes dar morada




MMt

sábado, 21 de abril de 2012


Normal


Eu sou gótica
Lógica
Máquina
Bélica
Ríspida
Cínica
Cáustica
Mórbida

Eu sou dúlcida
Mágica
Lívida
Lânguida
Lírica

Eu sou lúdica
Pândega
Vívida
Fálica

Eu sou normal
Eu sou normal

Eu sou
Gótica- lógica -Ríspida
Mágica- cáustica
Lânguida-lírica-lívida -bélica
Normal
Eu sou tácita
Híbrida
Pândega Vívida
Normal normal
Eu sou tudo ao mesmo tempo
Nada ao mesmo tempo
Normal normal normal