terça-feira, 12 de junho de 2012

Tristezinha

uma espécie de tristeza baixou aqui
tristezinha quieta
sem lágrimas
fina
tristezinha
feita de um silêncio
que gira
a sala
a vida
as lembranças
e de tudo que se vê
não fica quase nada
pra sorrir
e mesmo assim
sorri
um sorriso tristinho
fino
sorrisinho
quase querendo dizer
que chora
mas não diz
olha as paredes
da sala
da vida
das lembranças
e de tudo que  vê
fica quase tudo
mudo
tristezinha
tristezinha
calma
que dói sem alarde
fina
vagarosa
insone
que dói
dói
e tímida
não chama por ninguém 

MMt
12.06.2012

Fera


Às vezes o tigre em mim se demonstra cruel
como é próprio da espécie.
Outras, cochila
ou se enrosca em afago emoliente
mas sempre tigre;disfarçado.

Carlos Drummond de Andrade

(Enviado por Eliana Pichinine www.versoseanversosfotogenicos.blogspot.com)

domingo, 10 de junho de 2012


O segundo eterno


O segundo eterno
Passou por mim
Molhado de beijos
Foi chuva de estrelas
Sobre meu corpo

O que se vê agora
É o silêncio iluminado
O rastro em meus pelos
Poeira sideral
Nos cabelos

E o cheiro inconfundível
De universos
Ansiados
Achados
E perdidos


MMt 10.06.12


Meu filho

Guardado na semente,
Guardada a terra boa
Pra você nascer.
Pura poesia para um dia,
Em que o sol  chamar seu nome
Em mim.

domingo, 3 de junho de 2012

Saia de mim poesia


Saia de mim poesia
A que nunca escrevi
A que é dura e fria
Saia de mim
Esgueirada assim
Nas entranhas
Não me deixa sorrir
Nem voar
E o meu canto é triste
Saia como um vômito
Como um vento desenfreado
Montanha à fora
Que seja assim
Saia 
Já é hora

O que pode haver
De tão difícil a dizer?
Saia para ver
Poesia calcificada
Grudada nas paredes do meu coração
Me impede de viver
O sim e não
O nunca mais
Adeus
Por isso mesmo
Batem na minha cara
Saem
Voltam
Fazem o que querem
Dormem gozam somem
Tudo porque não sei quem é você
Poesia louca
Saia para que eu possa ter
A alegria perdida
Um instante só inteira e leve
Sem a pena que espera
Parada eternamente
Sobre a vida



sábado, 2 de junho de 2012


                                                                       Foto: Anna Mariani

Casa antiga


Hoje pensei:
Sou uma fachada de casa antiga
Pelo tempo carcomida
De barro e suor construída
Repintada em cores fortes
De rosas e azuis para cima
Plantada em pleno sertão

Gente sofrida mora nela
Mas a fachada é colorida!
Encanta um tanto
Os calangos, os caboclos
O cacto solitário
A horta seca
A poeira da rua

Não é feia
É colorida!
É quase uma surpresa
Sua cor inesperada
E há tanta gente de fora
Que adora!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Outono de dentro



Por que me fazer tão sozinha, Eu ?
Tão nessa madrugada fria
Sem ninguém pra dizer
Eu, vem aqui, me esquentar.

Por que lamentar tanto, Eu?
Gastando a água do mar
Nesse olho comprido
Da janela, vendo o tempo passar...

Todo mundo está dormindo
É quase inverno no Rio
Mas para que tanto inverno
Em seu outono de dentro, Eu?

Eu, não sei...
Eu, não sei não...
Algum dia sorrí seu verão?

MMt
16.05.12

terça-feira, 15 de maio de 2012

Margaridas num colar




Eu pedi a você
Uma flor de vitória régia
Num buquê de camélias
Para me casar

Você riu
Jogou charme e respondeu
Que tal margaridas num colar?

Eu pedi
A montanha mais alta
E um céu muito azul
Para me declarar

Você riu...
Que tal num motel
Da  Avenida Brasil?

Eu devia saber que esse amor

Não nasceu para durar

MMt
16.05.12