terça-feira, 11 de setembro de 2012

Que perfume



Plantei a minha dor

A minha dor num chão 

Num chão de fantasia 

Fantasia de amor 

Nasceu um pé de espinho

Pé de espinho que dá flor

Flor acessível 

Acessível a ninguém

Mas que perfume 

Que perfume

Ela tem...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Te perdôo por te trair

Os beijos que eu quis
Os delírios
O jantar à luz de vela
A beira de mar
Namorar
Dizer, declarar
O que eu quis ouvir
O que pensei dizer

Tudo isso
Eu dei ao vento
E o vento quis


Mas você não...

Então para que rir?
Te perdoo por te trair.

Solidão





Palavras e
Idéias
Como flores
Recém colhidas
Muito bem unidas
Num buquê

Solidão

Sorrisos
Bons pensamentos
Para lançar ao vento
Vozes dentro do peito
Novas cantigas
Amor no coração

Solidão

Tanta boca aberta
Pedindo pão
Muita gente em volta
Dos sim e não
Festa para sua canção

Solidão

Solidão

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Crônica da pressa




Estava lendo Fernando Sabino, “A Volta por Cima”, quando de repente descobri:
Eu estava à frente do meu tempo.
E não pensem que isso seja qualquer vantagem.
Apenas que, lendo o início, havia uma enorme ansiedade de saber o fim.
Quase empurrava Sabino e dizia: anda homem! Como termina esse troço?
Pois é.
Andava assim, sem saber.
Forçava a frase para o fim, pressionava o beijo, a conversa, a filosofia.
Estava mais interessada em como termina do que no gerúndio das coisas.
Que coisa.
Sofria de um mal comum.
Mesmo agora que narro um problema sério, já quero saber onde isso vai dar.

O pior é não querer, de jeito algum, voltar ao início para rastrear os acontecimentos e entender o que aconteceu no meio do caminho.

Pra dizer a verdade, meu pensamento, agorinha mesmo, está sendo oprimido pra terminar essa crônica:

"Vai, vai logo para o fim.

Anda.
Termina.
Como termina?
Hein?"

E como não há resolução antecipada para a vida não vivida, sofro de uma doença de difícil cura: a dúvida eterna!
 
MMt - 15.08.12
 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Silêncio



Ninguém entenderá
Só tu e o teu coração.
Talvez apenas um outro coração a mais.

Apenas mais um.

E sendo assim
Abraça o silêncio
Como o vento abraça a flor
E ninguém vê

Ninguém.

Mas o vento sabe
Que o arrepio da pétala
Imperceptível

É real...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Os que partem


Onde está você
Já começo a esquecer

Seu nome inteiro

Cuidado
Seu risco é calculado?

Não sei mais o que foi
Que lhe deixou de lado

Meus dias são assim

Sem pena nenhuma
Dos que partem

Pelas paredes


Só faço suspirar
Nem janela não há
Só faço esperar
E não arredo pé
Ah não tenho o que dizer
Não sei o que fazer
Aqui nesse lugar
Que não é boca
Nem dedos
Que não tem voz
E não geme

Que não sabe confissões
Para declamar ao corpo
Ah suspiros só
Nem janela
Qual!
Janelas são para quem finge
Eu amo pelas paredes
Arrastando as unhas 

MMt
15.06.2012

Que tudo passe

que tudo passe
passe a noite 
passe a peste
 passe o verão
 passe o inverno 
passe a guerra 
e passe a paz
 passe o que nasce 
passe o que nem
 passe o que faz
 passe o que faz-se
 que tudo passe 
e passe muito bem




Paulo Leminski
in Caprichos e Relaxos 
Quando eu tiver setenta anos
 entãovai acabar esta adolescência 
vou   largar da vida  louca
terminar minha  livre docência 
vou fazer o que meu pai quer 
começar a vida com passo perfeito 
vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
 de virar um pilar da sociedade

e terminar meu curso de direito 
então ver  tudo em sã consciência 
quando acabar esta
 adolescência



 Paulo Leminski
in - Caprichos e Relaxos 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Na porta de casa









Seu encantamento
não é meu
E eu tenho ficado na janela
esperando uma gota
Uma gota
do seu olhar encantado
estendido sobre mim

Quanto pensamento gasta
por aí
tanto encantamento por nada
Enquanto eu, meu amor esperado
já estou na porta de casa
sem saber
se devo ficar ou sair