domingo, 18 de novembro de 2012

Eleana Soares - Direto de Florianópolis



Quem diria que aquela menina que nos anos 80 andava com seu violão embaixo dos braços, nascida na rua Acanto em Bangu, filha da Tia Lourdes e do S. Alípio, surgiria em 2012 como um  Fogo Flor!
Escrevo isto, porque ao ter o privilégio de ouvir o seu Canto Camaleão, me deparei com uma capacidade criativa, traduzida em uma Alquimia  de letras, poemas, sons,melodias, cantoria...   Trabalhadas  com um  Olhar Delicado  ao extremo, não deixando que nada lhe escapasse.
Entre Desertos, adentrando pela Madrugada, tudo foi minuciosamente pensado, escolhido, experimentado e exposto, como um Bloco Maracatu!
Fica o convite, para como em um Pas De Deux, se envolver, se deliciar com este Sonho Bom que fica no ar... Que expõe um ser... sensível, criativo, amoroso e acima de tudo humano, pronto para viver a plenitude da humanidade que está presente em todos nós!
Seu canto diz: “Meu nome é talvez!”  Porém, digo-lhes: seu nome não é talvez.. Seu nome é leve, livre e forte! Seu nome é Mari Mari Tiscate.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A sétima volta






Foi quando dei a sétima volta sobre mim mesma
Que descobri essa verdade:
As outras pessoas estão realmente
E com propriedade
Girando em torno de si
Na sétima volta sobre mim mesma entendi:
Eu também.
Agora seguro nas mãos
Suavemente
Este talvez
Para as voltas seguintes que darei:
Uma pessoa girando em torno de si
É bela
E só devemos interromper o seu bailado
Se tivermos aprendido
Ou se quisermos aprender
A  dançar com ela.

domingo, 11 de novembro de 2012

Três minutos



Eu vou lhe dar
Os três minutos que quer
Para talvez me amar
Para  quem sabe me ouvir
Para de certo me calar
Depois
Todos os minutos que eu tiver
Vou passear por aí
Na minha imaginação
Bela
Morena
Ao sol
Sorrindo
E com tempo de sobra
De repente
Você vai acordar
E vai precisar de mim
Vai procurar o meu corpo
Para se saciar
E eu vou com certeza lhe dar
Os minutos que quiser
- Todo minuto é seu -
Para entender que eu parti
E que você me perdeu

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Que perfume



Plantei a minha dor

A minha dor num chão 

Num chão de fantasia 

Fantasia de amor 

Nasceu um pé de espinho

Pé de espinho que dá flor

Flor acessível 

Acessível a ninguém

Mas que perfume 

Que perfume

Ela tem...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Te perdôo por te trair

Os beijos que eu quis
Os delírios
O jantar à luz de vela
A beira de mar
Namorar
Dizer, declarar
O que eu quis ouvir
O que pensei dizer

Tudo isso
Eu dei ao vento
E o vento quis


Mas você não...

Então para que rir?
Te perdoo por te trair.

Solidão





Palavras e
Idéias
Como flores
Recém colhidas
Muito bem unidas
Num buquê

Solidão

Sorrisos
Bons pensamentos
Para lançar ao vento
Vozes dentro do peito
Novas cantigas
Amor no coração

Solidão

Tanta boca aberta
Pedindo pão
Muita gente em volta
Dos sim e não
Festa para sua canção

Solidão

Solidão

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Crônica da pressa




Estava lendo Fernando Sabino, “A Volta por Cima”, quando de repente descobri:
Eu estava à frente do meu tempo.
E não pensem que isso seja qualquer vantagem.
Apenas que, lendo o início, havia uma enorme ansiedade de saber o fim.
Quase empurrava Sabino e dizia: anda homem! Como termina esse troço?
Pois é.
Andava assim, sem saber.
Forçava a frase para o fim, pressionava o beijo, a conversa, a filosofia.
Estava mais interessada em como termina do que no gerúndio das coisas.
Que coisa.
Sofria de um mal comum.
Mesmo agora que narro um problema sério, já quero saber onde isso vai dar.

O pior é não querer, de jeito algum, voltar ao início para rastrear os acontecimentos e entender o que aconteceu no meio do caminho.

Pra dizer a verdade, meu pensamento, agorinha mesmo, está sendo oprimido pra terminar essa crônica:

"Vai, vai logo para o fim.

Anda.
Termina.
Como termina?
Hein?"

E como não há resolução antecipada para a vida não vivida, sofro de uma doença de difícil cura: a dúvida eterna!
 
MMt - 15.08.12