quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Lua e meia

Madrugada
Não me traga a metade
Por favor
Quero a lua inteira
Lua cheia
Uma lua e meia
Se possível for
Tudo o que tenho
Madrugada
É uma visão
Coisa encantada
Mas muito real
Da imensa lua
Prateada
Inundando
O meu coração
MMT

sexta-feira, 14 de outubro de 2011


Aniversario do poeta Carlos Drummond de Andrade será 31 de outubro! O cartaz é uma apelo para que não roubem mais os óculos de sua estátua na praia de Coapacabana.
Carlos Drummond de Andrade was a great brazilian poet and writer. His birthday was october 31. This is his statue from Copacabana Beach, Rio de Janeiro. The poster says "Do not steal my glasses, read my books". That's because the glasses several times was stolen.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Brasa

Ela arde
Mas é perigoso!
Aqui! Caramba, isso é lugar?
Qualquer um pode ver!
Devemos deixar?
Pode causar muito dano...
Ardendo em plena luz do dia! Pois está sol quente!
Isso pode ser muito ruim, muito ruim.


Pode incendiar tudo.
É pode mesmo... o nosso patrimônio, nossa casa, família... tudo pode queimar!
Que trágico!
Muita coisa sensível ao fogo em volta.
Muita! 
Como pode arder desse jeito, quem a deixou assim?
Isso não importa, quem fez isso, fez e foi embora.
E agora?
Vamos pisar nela.
Pisar? E se nos queimar também?
Hum... isso pode acontecer... está em brasa.
Está mesmo.
E aí? vamos ou não salvar as coisas de um desastre?
Mas é bonita, não é? Assim queimando... tenho que admitir que é bonita...
E se não fosse o risco, puxa, dá pra fazer coisas gostosas com ela...
Ô se dá...
Se não fosse tão arriscado...
É... se não doesse....
E o pior: se não deixasse marcas!
Nem tinha pensado nisso! Dói muito e deixa marcas.
Pra sempre.
Nossa, é mesmo.
Vamos pisar nela!
É, vamos acabar com isso de uma vez.
Pisa você primeiro.
Eu não. Por que eu primeiro? Pisa você!
Mas eu estou de chinelos...
E eu de sandália.
Ah, pensando bem... não vai acontecer nada não.
Acho até que vai chover.
Ah é, vai chover.
Então... deixa ela ardendo aí. A chuva apaga.
É... a chuva apaga.
É pena mesmo apagar uma coisa tão bonita.
Uma madeira de lei, cheirosa e em brasa
Ao vento se acende em mil cores.
Mas não deixa de ser fogo e perigoso...
Sim... bonito e perigoso.
Vamos sair daqui.
É melhor pisar. Tudo bem, eu piso.
Pisa mesmo... já que você está tão atraído por sua beleza...
Eu atraído? Claro que não! Só reconheço que é bonito de ver.
Mas não de pegar.
Pegar não...
Muito menos levar pra casa.
Está ardendo demais pra levar pra casa .
Levar pra casa nem pensar!

Então...
Pisei.
Apagou?

Agora não queima mais ninguém.

sábado, 8 de outubro de 2011


Desvão


Esse desvão eu conheço bem
Correr por estrada nenhuma da imaginação
Vento cortante
Fazendo pedaços as gotas de água do olhar
E nada mais

Esses senões eu conheço bem
Felicidade que nunca vem
Bem explicado na constituição
Que é direito sim
Mas não para mim
Decreto que ninguém baixou
Mas caiu sobre minha cabeça
Enquanto andava nua
Na estrada nenhuma do meu pensamento
Esperando sei lá o que
Vagando para onde nem sei

Esse refrão eu conheço bem
Voar para aquele lugar nenhum da  visão
E ser feliz por comparação
Já que o mundo tosco  e real
É pleno de envelhecimentos
Tormentos
De baixa explicação
Não sei não sei
Acho que toda minha vida
Cabe naquela pequena gaveta
Da sua lembrança
Um guardadinho esquecido por lá
Que ninguém sabe ao certo
Para que servirá
Mas se aperreia de dele se livrar
E fica por ali
Jogado e sem função

Esse sermão eu conheço bem
Loucura se cura com fé
Mas eu tenho fé
e enlouqueci porque quis
Para dar mais verdade ao amor
Que me rege e me perde

Essa lição eu conheço bem
O fim é o início
De inesperaqda coisa
Que eu nunca sei
E como eu existo e ponto final
Nunca saberei
O fim dessa canção
É desespero calado
Por nada que interesse
A ninguém



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Vou fazer um poema só com onomatopéias

urrrrrrrrrrr
arrrrrrrrrrr
ouuuuunnnn
brrrrrrrrrrr
bááááááááá

Onomatopéias e interrogações

?
?
?
?


Aguardo sua resposta.


domingo, 2 de outubro de 2011

Mil anos luz - Mari Mari (música nova)

Lá atrás
Mil anos luz
Tem alguém esperando
No mesmo lugar
Parando o sangue na veia
E o oxigênio no ar
Não quer respirar
Para não perder
Um minuto sequer
Do tempo em que você voltará
Para perdoar

Lá atrás
Mil anos luz
O tempo segue em direção oposta
Procura aquilo outra vez
Onde o espinho feriu
Onde a dor aconteceu
A hora precisa do não, adeus

Quando você voltará?
Para esse amanhã que não quer chegar?
Quando vai compreender
Que o tempo não passou
Pra você?
É você quem está na esquina
É você quem está no espelho
É você lá atrás
Mil anos luz
Sem o seu próprio perdão

Quando você voltará?
Para esse amanhã que não quer chegar?
Quando vai compreender
Que o tempo não passou
Pra você?

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cala a boca coração


Tanto muito para que?
Para escorrer no ralo das lembranças
Durante o crochê?
Para ter o que contar em segredo
Quando o cabelo branquear?

Tanto tudo para que?
Só para no futuro dizer
Que foi fora de lugar?

Isso tudo
Essa tanta coisa
Doida santa
Louca mansa
Para que?

Fez essa pergunta na frente do espelho
O que serei quando ficar velho?
O que sobrará do que cuspi diariamente?
Uma amarelada caderneta de poupança
Conquistada às custas da abstinência
Que ao final sorri saciada
Alimentada de um imenso desejo
Que morreu aos poucos e só

E o vestido vermelho
Cuidadosamente guardado para ocasiões?
Abasteceu a fome dos cupins
E agora só serve para certos fins
De pano de chão

Tanto tudo para que?
Para dizer
Ah cala a boca coração

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Adelia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.



Adélia Prado

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Hoje eu deitaria em seu colo por horas
Se não fosse tempo de partir
Se não tivesse que apressar
O relógio para o fim
Deitaria a cabeça em seu ombro
Para contar e ouvir histórias
Para lembrar memórias de nós dois
Se não tivesse mesmo que ir
Para o trem que teima em me levar
As malas prontas
A estação
O ponteiro tic tac
Tudo me dizendo vá
Porém hoje
Hoje em especial
Eu adiaria tudo
O começo e o fim
Para deitar entre suas pernas
E sonhar com mundos difusos
Em cujas línguas
Não existe a palavra
Adeus

Cantos

Caí de amores 
Pelos cantos 
Do coração 




Eliana Pichinine