terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Camaleão











Sou tão fingida
Triste como a noite escura
Rosto de lua cheia
Para quem não sabe ver
Camaleão
Verde em folha verde
Amarelado coração
Estatelado

Não sou fingida
Apenas não sei
Dizer...





MMt

sábado, 14 de janeiro de 2012

Ou se



Poderia
Se quisesse
Meu coração
Seguir caminhos
Retos
Se reto fosse
O caminho
Mas não sendo
Assim direto
Meu coração
Antecipou-se



MMt

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Quando?



Todas as coisas que eu pensei dizer
Habitam o silêncio  agora
Do alto daquela montanha
Ouço apenas uma pergunta ecoando


Quando?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011


Adeus  Olá


Chegou a hora
Vou mexer de novo
Em meus guardados
Por um prazer sei lá
De ficar perto
Do que costumo chamar... eu

Doze badaladas virão
E aqui está o meu baú
Um ano já me basta
Para transbordar

Tanto que talvez seja preciso
Mesmo vasculhar
Essas coisas todas que juntei
Mas eu já sei
Nada vou desperdiçar

O que fiz
O que chorei
O que não quis
O que cantei

No primeiro minuto
Do primeiro dia
Um primeiro ano
Outra vez

E a mágica será
Quando o pano levantar
E o palco vazio surgir
O eco de minha voz vai dizer
Adeus, olá, fui viver!


MMt - Poema e fotografia

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.




(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Pó da estrada


O pó da estrada
Desenhou no ar
De repente
Sinais
Em direção ao sol
Avisos
Para ir por ali
Ver o que há

Eu fui
Virei a esquina
E era o mundo
Que estava por lá
Tantas peles, tantos olhos
Gente comendo e bebendo ar

Montanhas de pessoas
Procurando, o que?
Viver... viver... amar

Sandálias no pó do chão
Pressa de ter
Possuir o pão
Bandeiras manchadas
Com a fome alheia
Cobrindo a mesa da ceia

Gente com olhos vidrados
Num falso eldorado
Entulhando avenidas
Lataria reluzente


Febre de poder
De gente sobre gente

Mas era tudo pó, de repente
E eu repensando o caminho
Dei a volta fiz a curva
E teci o meu cadinho



O Quadro


Espero pintar o quadro um dia
Em que surjam meus temores
Minhas dores, meu desejo
Meu chulé e meu cecê
Coisas que não posso esquecer
O primeiro beijo
Minha mão tocando sua cara linda
Os cheiros de rio
De cio
Isso eu tenho que pintar
Para nunca mais perder
As palavras, os poemas
Pensamentos que ninguém ouviu                               
Minha caixa de fitas
Meu pote de melado
Aquele dia de frio
O violão e o vinho
Quero pintar tanta coisa
Quero que caiba de um tudo
Minhas fotos amarelas
Uma voz no microfone
O meu CD do Paulinho
Os meus livros da Clarice
O que eu disse
O que não disse
O beijo que eu roubei
Os que peguei emprestado
Minha renda
Seu brocado
Tudo eu quero ali pintado
Num retrato bem parido
Que eu coloque na parede
E me prove todo o dia
O fato de eu ter vivido

Mais importante que viver


MAIS IMPORTANTE QUE VIVER


Mais importante que viver
É ir ao vento
Parando sobre flores e carcaças
Morte e nascimento

Mais importante que viver
É sair para a  rua
Falar com pessoas
Criar uma coisa e outra
Olhar o céu, viver o azul
Coisas assim

Mais importante que viver
É beijar
E se possível apaixonar
Sentar-se sob a mangueira
E comer mangas
Sujar a barra da roupa
Em terra de verdade

Isso é mais importante que viver

Acordar sem ter nada o que fazer
E dormir tendo feito tanto
Sem saber


Ter um sorriso guardado
Uma janela aberta
Uma música soando
Mesmo que no pensamento

Dar um telefonema
Contar  uma piada
Não ter planos e tudo acontecer
O inesperado, o sonho, a surpresa...

Isso é mais importante que  viver!



LÍNGUA NA FILOSOFIA


Penso pensamentos muito sérios
E uma boca em minha pele escorre
Volto ao raciocínio responsável
E sua língua embola meus conceitos

Me concentro na filosofia
Da coisa certa e da coisa errada
Penso que a idéia é necessária
Mas sua voz sussurra e a espanta

Penso... suas mãos em minha idéia
Volto... ao raciocínio... em sua boca
Penso... sua boca... em minha tese
E seu conceito... escorre... em minha língua

Minhalínguanafilosofia
Todointeironoseuraciocínio
Opensamentogritaemmeusouvidos
E o pensador explode em... um... insight!

MMt

Ùltima Fila


Saia do centro das idéias, do meio das atenções
Seja um pouco periferia
Abdique de ser o número um
O maioral
O sabe tudo
Vá para o último lugar
Da última fila
E veja, veja
O quanto tudo pode mudar
Dependendo de onde você está

Abra mão de ser o mais amado
A pessoa mais importante do planeta
Vá  para um canto e observe
Você  vai ficar admirado
Deixe de lado o pensamento
Que o mundo gira em seu umbigo
Fique um pouco de banda
Sem maquiagem
E idéias mirabolantes
Veja
Veja como tudo pode mudar
Dependendo de onde você está

(Marielza Tiscate)