quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Meu plano
Nunca vou ter muito dinheiro
esse é meu plano de vida
ir à padaria
pela manhã
com dois reais no bolso
e trazer o pão quentinho
depois comer com calma
enquanto a manhã se ajeita
dia à fora
nunca vou ganhar muito dinheiro
vou ter uma velha viola companheira
e um chapéu de palha
que seja do meu pai
do meu avô
e que sobreviverá a mim
quero ter minha couve no quintal
e tempo para espantar as lagartas
mas não muito
para eu saber sempre o que cuidar
Enquanto o tempo passa
Em seu próprio caminhar
Nunca vou ganhar muito dinheiro
esse é o meu plano
as músicas que sairem do meu pinho
a maioria
vai voar no vento
pra ninguém
e metade do que resta
vai escorrer na água do chuveiro
enquanto esfrego minhas costas
duas ou três que sobrarem
vou entregar para quem queira comprar
pelos dois reais do pão
Essa é minha revolução
particular
esse é meu plano de vida
ir à padaria
pela manhã
com dois reais no bolso
e trazer o pão quentinho
depois comer com calma
enquanto a manhã se ajeita
dia à fora
nunca vou ganhar muito dinheiro
vou ter uma velha viola companheira
e um chapéu de palha
que seja do meu pai
do meu avô
e que sobreviverá a mim
quero ter minha couve no quintal
e tempo para espantar as lagartas
mas não muito
para eu saber sempre o que cuidar
Enquanto o tempo passa
Em seu próprio caminhar
Nunca vou ganhar muito dinheiro
esse é o meu plano
as músicas que sairem do meu pinho
a maioria
vai voar no vento
pra ninguém
e metade do que resta
vai escorrer na água do chuveiro
enquanto esfrego minhas costas
duas ou três que sobrarem
vou entregar para quem queira comprar
pelos dois reais do pão
Essa é minha revolução
particular
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Silêncio/Silence
Até mesmo aquele pássaro azul
recolhe o vôo para descansar
Até mesmo ele
Guarda as asas
perto do coração
entre os galhos fechados
de alta montanha
E fica em silêncio
silêncio
que dirá eu
que não tenho asas
que não sei voar
que não sou azul
recolho minhas penas
para descansar
perto do peito
e escuto o que me falta
saudade
saudade
saudade
na floresta urbana
dos homens
-------------------------------------------------------------
Even that blue bird
collects the flight to rest
Even he
Guard wings
near the heart
among the branches closed
Of high Mountain
And stay in silence
silence
And me
that do not have wings
that can not fly
That am not blue
gather my feathers
to rest
near the chest
and hear what I miss
nostalgia
at the urban forest
Of man
recolhe o vôo para descansar
Até mesmo ele
Guarda as asas
perto do coração
entre os galhos fechados
de alta montanha
E fica em silêncio
silêncio
que dirá eu
que não tenho asas
que não sei voar
que não sou azul
recolho minhas penas
para descansar
perto do peito
e escuto o que me falta
saudade
saudade
saudade
na floresta urbana
dos homens
-------------------------------------------------------------
Even that blue bird
collects the flight to rest
Even he
Guard wings
near the heart
among the branches closed
Of high Mountain
And stay in silence
silence
And me
that do not have wings
that can not fly
That am not blue
gather my feathers
to rest
near the chest
and hear what I miss
nostalgia
at the urban forest
Of man
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Cântico
Ah sol
Ah dia que se esvai
Sem lamentos
Ah raios sobre a vida
Sem olhar aquém
Ah pequenos animais
Correndo sob as folhas
Ah folhas de grandes Baobás
Meus passos
No silêncio
Os grandes rios
Grandes quedas d’agua
Fresta de luz na floresta
Ah meus olhos sob a luz
Sob a lua que caiu no mar
Estrela que caiu
Meus traços de gazela
Em fuga
Ah minha fome
A fome de alguém
Se fecho os olhos
Enxergo tudo isso
No escuro
Ah dia que se esvai
Sem lamentos
Ah raios sobre a vida
Sem olhar aquém
Ah pequenos animais
Correndo sob as folhas
Ah folhas de grandes Baobás
Meus passos
No silêncio
Os grandes rios
Grandes quedas d’agua
Fresta de luz na floresta
Ah meus olhos sob a luz
Sob a lua que caiu no mar
Estrela que caiu
Meus traços de gazela
Em fuga
Ah minha fome
A fome de alguém
Se fecho os olhos
Enxergo tudo isso
No escuro
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Metade/ Half
Ardente paixão
Alguma dor
Ansiedade
Não
Riso
Esperança
Leveza
Sim
Entrega
Explosão
Morrer de saudade
Não
A velha maturidade
sim
Não há amor
Para a metade
De mim
-----------------------------------------------------------------
Burning passion
any pain
anxiety
not
Laughter
hope
lightness
yes
Delivery
explosion
Die of homesickness
not
The old maturity
yes
There is no love
For half
Of me
Alguma dor
Ansiedade
Não
Riso
Esperança
Leveza
Sim
Entrega
Explosão
Morrer de saudade
Não
A velha maturidade
sim
Não há amor
Para a metade
De mim
-----------------------------------------------------------------
Burning passion
any pain
anxiety
not
Laughter
hope
lightness
yes
Delivery
explosion
Die of homesickness
not
The old maturity
yes
There is no love
For half
Of me
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
O que era flor/ What was flower
Deixava secar as flores do jardim
Depois ficava esperando
As borboletas
Fechava as janelas da casa
E sentava
No escuro
Para ver o sol
Ralava o tempo devagar
No áspero desencanto
Depois reclamava a falta de tempo
A falta de chance
Para ser feliz
Depois explodia contra as borboletas
Que abandonaram o seu jardim
Borboletas miseráveis
Por que me deixaram assim?
Depois tropeçava na escuridão
Caía e culpava a falta de luz
Encolhido num canto
Tentava esquecer qualquer cor
Qualquer vestígio de graça
E ria sozinho da paz
No mais
No final
Já nem lembrava o que era
flor
------------------------------------------------------------------------------
He let dry the flowers from the garden
After, stayed waiting
Of the butterflies
Shut the windows of the house
And sat in the dark
To see the sun
Graze the time slowly
In rough disenchantment
After complaining the lack of time
The lack of chance
To be happy
After exploding against the butterflies
that abandoned his garden
miserable butterflies
Why left me so?
After stumbling in the dark
Fell and blamed the lack of light
Huddled in a corner
Tried to forget any color
Any trace of grace
And laugh alone about peace
at the end
He did not even remember what was
flower
Depois ficava esperando
As borboletas
Fechava as janelas da casa
E sentava
No escuro
Para ver o sol
Ralava o tempo devagar
No áspero desencanto
Depois reclamava a falta de tempo
A falta de chance
Para ser feliz
Depois explodia contra as borboletas
Que abandonaram o seu jardim
Borboletas miseráveis
Por que me deixaram assim?
Depois tropeçava na escuridão
Caía e culpava a falta de luz
Encolhido num canto
Tentava esquecer qualquer cor
Qualquer vestígio de graça
E ria sozinho da paz
No mais
No final
Já nem lembrava o que era
flor
------------------------------------------------------------------------------
He let dry the flowers from the garden
After, stayed waiting
Of the butterflies
Shut the windows of the house
And sat in the dark
To see the sun
Graze the time slowly
In rough disenchantment
After complaining the lack of time
The lack of chance
To be happy
After exploding against the butterflies
that abandoned his garden
miserable butterflies
Why left me so?
After stumbling in the dark
Fell and blamed the lack of light
Huddled in a corner
Tried to forget any color
Any trace of grace
And laugh alone about peace
at the end
He did not even remember what was
flower
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Infinito tempo/Infinite time
minha alma mergulhou
na água sagrada
da esperança
e a tudo vê com boniteza
nesse momento
o mar me batizou
pela milésima vez
aceitou minha dor
e lamentos
o abraço que me deu
por horas infindas
foi feito de silêncio
e planctons
eu flutuei
aceitei que nem tudo
se transforma ao meu toque
não pensei mais
em transformar nada
nem ninguém
e o desejo
este me vestiu de azul
e vento
Agora tudo pode mudar
por isso mesmo
daqui até o infinito tempo
----------------------------------------------------------
my soul plunged
in the sacred water
Of hope
and I'm seeing everything with prettiness
at this moment
The sea baptized me
by the umpteenth time
it accepted my pain
and my laments
the hug that gave me
By endless hours
was made of silence
and plankton
I floated
realized that not everything
Change with my touch
I thought no more
in transform anything
or no one
and the desire
Wore me with blue
and wind
Now everything can change
so even
from here till the infinity time
na água sagrada
da esperança
e a tudo vê com boniteza
nesse momento
o mar me batizou
pela milésima vez
aceitou minha dor
e lamentos
o abraço que me deu
por horas infindas
foi feito de silêncio
e planctons
eu flutuei
se transforma ao meu toque
não pensei mais
em transformar nada
nem ninguém
e o desejo
este me vestiu de azul
e vento
Agora tudo pode mudar
por isso mesmo
daqui até o infinito tempo
----------------------------------------------------------
my soul plunged
in the sacred water
Of hope
and I'm seeing everything with prettiness
at this moment
The sea baptized me
by the umpteenth time
it accepted my pain
and my laments
the hug that gave me
By endless hours
was made of silence
and plankton
I floated
realized that not everything
Change with my touch
I thought no more
in transform anything
or no one
and the desire
Wore me with blue
and wind
Now everything can change
so even
from here till the infinity time
sábado, 16 de fevereiro de 2013
1 minuto
Preciso de um minuto
Sem sobressaltos
Um minuto no alto
Um minuto sem mal
Sem dor
Susto algum
Preciso de um minuto
Ao vento
Ao sabor das ondas
Um minuto de prioridade
Naquele lugar onde só cabe
O amor
O resto do tempo
Eu me viro bem
Na minha própria companhia
E até na companhia da dor
Sem sobressaltos
Um minuto no alto
Um minuto sem mal
Sem dor
Susto algum
Preciso de um minuto
Ao vento
Ao sabor das ondas
Um minuto de prioridade
Naquele lugar onde só cabe
O amor
O resto do tempo
Eu me viro bem
Na minha própria companhia
E até na companhia da dor
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Pouso da tristeza vôo da alegria/
Estava diante do mar
Era lindo de ver
Ondas iam e vinham
Sob o ar sagrado
Dos ventos azuis
A tristeza pousou em mim
Porque era lindo
Porque queria beber
Queria ser mar
Vento
Azul
A tristeza pousou
Encolheu-se
Chorou
Pela separação
Porque aquilo tudo belo
Estava fora
E logo eu iria embora
Voltar para o árido
Para o sólido
Para o poeirento
Virei as costas
Caminhei um tanto na areia
E uma alegria voou ao meu redor
Foi um pensamento delicado
Poético
Que abraçou meu coração:
Você não é o vento
Ou o mar
Mas a gaivota
E a concha.
Também não.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Was facing the sea
It was beautiful to see
Waves came and went
Under the sacred air
Of blue winds
Sadness landed on me
Because it was beautiful
Because I wanted to drink
I wanted to be sea
wind
blue
Sadness landed
Shrank
cried
for the separation
Because all that beautiful
Was out
And soon I had to leave
Back to the arid
To the solid
For dusty
I turned my back
Walk somewhat on sand
And a joy flew around me
It was a delicate thought
poetic
Who embraced my heart:
You're not the wind
Or sea
But the seagull
And the shell
Are not, also.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Brasil Bonito/Beautiful Brazil
Chuva e rio na Amazônia/Rain and River at Amazônia
Fotografia/pic: Marcos Quinan www.abaribo.blogspot.com
Fotografia/pic: Marcos Quinan www.abaribo.blogspot.com
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