quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Brasil Bonito/Beautiful Brazil

"Prainha" - Prainha Beach
Florianópolis - Santa Catarina
Fotografia/photo: Patrícia Soares


Meu plano

Nunca vou ter muito dinheiro

esse é meu plano de vida
ir à padaria
pela manhã
com dois reais no bolso
e trazer o pão quentinho
depois comer com calma
enquanto a manhã se ajeita
dia à fora

nunca vou ganhar muito dinheiro
vou ter uma velha viola companheira
e um chapéu de palha
que seja do meu pai
do meu avô
e que sobreviverá a mim

quero ter minha couve no quintal
e  tempo para espantar as lagartas
mas não muito
para eu saber sempre o que cuidar
Enquanto o tempo passa
Em seu próprio caminhar

Nunca vou ganhar muito dinheiro
esse é o meu plano

as músicas que sairem do meu pinho
a maioria
vai voar no vento
pra ninguém
e metade do que resta
vai escorrer na água do chuveiro
enquanto esfrego minhas costas
duas ou três que sobrarem
vou entregar para quem queira comprar
pelos dois reais do pão
Essa é minha revolução

particular

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Silêncio/Silence

Até mesmo aquele pássaro azul
recolhe o vôo para descansar

Até mesmo ele
Guarda as asas
perto do coração
entre os galhos fechados
de alta montanha
E fica em silêncio





silêncio





que dirá eu

que não tenho asas

que não sei voar

que não sou azul


recolho minhas penas

para descansar

perto do peito
e escuto o que me falta



saudade

saudade

saudade


na floresta urbana
dos homens


-------------------------------------------------------------
Even that blue bird

collects the flight to rest



Even he

Guard wings

near the heart

among the branches closed
Of high Mountain

And stay in silence





silence






And me


that do not have wings

that can not fly

 
That am not blue

gather my feathers

to rest

near the chest

and hear what I miss








nostalgia









at the urban forest

Of man



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Cântico

Ah sol
Ah dia que se esvai
Sem lamentos
Ah raios sobre a vida
Sem olhar aquém
Ah pequenos animais
Correndo sob as folhas
Ah folhas de grandes Baobás
Meus passos
No silêncio
Os grandes rios
Grandes quedas d’agua
Fresta de luz na floresta
Ah meus olhos sob a luz
Sob a lua que caiu no mar
Estrela que caiu
Meus traços de gazela
Em fuga
Ah minha fome
A fome de alguém
Se fecho os olhos
Enxergo tudo isso
No escuro

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Metade/ Half

Ardente paixão
Alguma dor
Ansiedade
Não

Riso
Esperança
Leveza
Sim

Entrega
Explosão
Morrer de saudade
Não

A velha maturidade
sim



Não há amor
Para a metade
De mim
-----------------------------------------------------------------
Burning passion

any pain

anxiety

not

 
Laughter

hope

lightness

yes

 
Delivery

explosion

 Die of homesickness

not



The old maturity

yes




There is no love

For half

Of me





terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O que era flor/ What was flower

Deixava secar as flores do jardim
Depois ficava esperando
As borboletas

Fechava as janelas da casa
E sentava
No escuro
Para ver o sol

Ralava o tempo devagar
No áspero desencanto
Depois reclamava a falta de tempo
A falta de chance
Para ser feliz

Depois explodia contra as borboletas
Que abandonaram o seu jardim
Borboletas miseráveis
Por que me deixaram assim?
Depois tropeçava na escuridão
Caía e culpava a falta de luz

Encolhido num canto
Tentava esquecer qualquer cor
Qualquer vestígio de graça
E ria sozinho da paz
No mais
No final
Já nem lembrava o que era
flor


------------------------------------------------------------------------------


He let dry the flowers from the garden
After, stayed waiting
Of the butterflies


Shut the windows of the house
And sat in the dark
To see the sun

Graze  the time slowly
In rough disenchantment
After complaining the lack of time
The lack of chance
To be happy

After exploding against the butterflies
that abandoned his garden
miserable butterflies
Why  left me so?
After stumbling in the dark
Fell and blamed the lack of light

Huddled in a corner
Tried to forget any color
Any trace of grace
And laugh alone about peace


at the end

He did not even remember what  was
flower

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Infinito tempo/Infinite time

minha alma mergulhou
na água sagrada
da esperança
e a tudo vê com boniteza
nesse momento
o mar me batizou
pela milésima vez
aceitou minha dor
e lamentos
o abraço que me deu
por horas infindas
foi feito de silêncio
e planctons
eu flutuei
aceitei que nem tudo
se transforma ao meu toque
não pensei mais
em transformar nada
nem ninguém
e o desejo
este me vestiu de azul
e vento
Agora  tudo pode mudar
por isso mesmo
daqui até o infinito tempo

----------------------------------------------------------




my soul plunged

in the sacred water

Of hope

and I'm seeing everything with prettiness

at this moment

The sea baptized me

by the umpteenth time

it accepted my pain

and  my laments

the hug that gave me

By endless hours

was made of silence

and plankton

I floated

realized that not everything

Change with my touch

I thought no more

in transform anything

or no one

and the desire

Wore me with blue

and wind

Now everything can change

so even

from here till the infinity time


sábado, 16 de fevereiro de 2013

1 minuto

Preciso de um minuto
Sem sobressaltos
Um minuto no alto
Um minuto sem mal
Sem dor
Susto algum

Preciso de um minuto
Ao vento
Ao sabor das ondas
Um minuto de prioridade
Naquele lugar onde só cabe
O amor

O resto do tempo
Eu me viro bem
Na minha própria companhia
E até na companhia da dor

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Pouso da tristeza vôo da alegria/


Estava diante do mar
Era lindo de ver
Ondas iam e vinham
Sob o ar sagrado
Dos ventos azuis
A tristeza pousou em mim
Porque era lindo
Porque queria beber
Queria ser mar
Vento
Azul
A tristeza pousou
Encolheu-se
Chorou
Pela separação
Porque aquilo tudo belo
Estava fora
E logo eu iria embora
Voltar para o árido
Para o sólido
Para o poeirento


Virei as costas
Caminhei um tanto na areia
E uma alegria voou ao meu redor
Foi um pensamento delicado
Poético
Que abraçou meu coração:
Você não é o vento
Ou o mar
Mas a gaivota
E a concha.
Também não.
 -------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Was facing the sea

It was beautiful to see

Waves came and went

Under the sacred air

 
Of blue winds

Sadness landed on me

Because it was beautiful

Because I wanted to drink

I wanted to be sea

wind

blue

Sadness landed

Shrank

cried

for the separation

Because all that beautiful

 
Was out

And soon I had to leave

Back to the arid

To the solid

For dusty

 

I turned my back

Walk somewhat on sand

And a joy flew around me

It was a delicate thought

poetic

Who embraced my heart:

You're not the
wind

Or
sea

But the seagull

And the
shell

Are not, also.